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Giulietta SZ de 1960 alinha na 101ª edição da Targa Florio

A 101ª edição da Targa Florio arrancou da Piazza Verdi, em Palermo. O início da reputada competição marca igualmente o lançamento da iniciativa Alfa Romeo ON AIR, pelo que aqui publicaremos, diariamente, fotos, vídeos e os factos mais curiosos a propósito de uma das mais antigas competições de automóveis que tem lugar na ilha que a acolhe: a Sicília.

 

A Alfa Romeo faz parte da tradição do Targa Florio, sendo uma das marcas que mais prémios conquistou ao longo da história desta que é uma das mais antigas competições automobilísticas de Itália. O Giulietta SZ que participa na 101ª edição da corrida é um modelo da segunda série de 1960, com a distintiva traseira “cortada” (estilo Kamm) e uma aerodinâmica incrivelmente eficiente, a ponto de facilmente alcançar a fasquia dos 200 km/h. Sob o capot, um quatro cilindros em linha com 1.290 cc, capaz de debitar 100 cv. Mas não só: os travões de disco dianteiros e a frente aerodinâmica são outras características-chave do modelo.
O nascimento do Giulietta Sprint Zagato, que se celebrizou como SZ, foi muito complexo. As suas origens remontam a uma curiosa sequência de eventos relacionados com o universo das corridas: em 1956, um dos mais conhecidos cavalheiros italianos da época, Dore Leto di Priolo de seu nome, danificou o seu Giulietta Sprint Veloce durante a Mille Miglia. Quando o levou para a Zagato, para repará-lo, Dore terá pedido a Elio Zagato não só para reconstruir o coupé desenhado por Franco Scaglione da Bertone, mas também para submetê-lo a uma dieta, reduzindo tanto quanto fosse possível o peso do carro – por mais cara e complexa que se viesse a revelar a empreitada. Resultado: Zagato desfez-se de todos os painéis do chassi, equipou-o com uma estrutura de aço tubular leve e cobriu-o com uma carroçaria de alumínio. E daí saiu o SVZ, um automóvel mais arredondado, com mais contornos, e com um coeficiente aerodinâmico muito melhorado. Como se isto não bastasse, pesava menos 145 quilos do que o Sprint Veloce comum. O SVZ depressa tratou de provar os seus dotes em pista, pelo que, também depressa, se preencheu o livro de encomendas da Zagato, o que permitiu ao reputado carroçador aprimorar ainda mais a sua ideia. Em apenas alguns meses, dezenas de clientes encomendaram sua própria versão “personalizada”, com uma aerodinâmica cada vez mais apurada e um peso cada vez mais leve, ao mesmo tempo que o motor era “espremido” para retirar mais e mais potência do pequeno 1300 cc com dupla árvore de cames: o SVZ estava a tornar-se invencível. Do ponto de vista estilístico, os carros SVZ afastaram-se das linhas originais do Sprint Veloce de Bertone e começaram a antecipar os contornos do que viria a ser o SZ (de Sprint Zagato).
A Alfa Romeo apreciou a qualidade do design da Zagato e transformou-a num modelo de produção standard, num chassi mais curto. Assim, após o sucesso dos seus carros “personalizados” para compradores particulares, em 1959, o carroçador milanês iniciou oficialmente a produção do Sprint Zagato: a carroçaria foi altamente racionalizada, pesando pouco mais de 850 kg. O modelo que participa na Targa Florio é a versão que lhe sucedeu, a partir de 1960, sendo propriedade do Museo Storico Alfa Romeo – La macchina del tempo at Arese. Razão pela qual o foco de hoje está também centrado em Roberto Giolito, responsável pelo Departamento Histórico da FCA, que desvenda esse magnífico Alfa Romeo: o Giulietta Sprint Zagato, o glorioso SZ de 1960.

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